15 de novembro de 2012

Canções de Protesto: Bob Dylan - Hurricane (1976)


A história dos Estados Unidos da América tem marcas profundas dos anos da escravidão, cujo o fim foi marcado pelo conflito sangrento entre o norte e o sul do país que foi humilhado neste embate e lá estava o fim da escravidão, mas não porque Lincoln presidente daquele país era um homem bondoso e que via naqueles pessoas humanidade, mas porque ele acreditava que o negro era um problema, ou seja, o atraso que deveria ser eliminado por isso a liberdade, mas não o fim da opressão e da discriminação. 



Na década de 1960, como se sabe existiu a luta pelos direitos civis e os negros sofreram para conquistar os seus direitos de igualdade em relação aos brancos, pois a própria constituição norte americana era racista (racismo constitucional) e ofertava aos negros os serviços básicos como: educação e saúde num nível de baixíssima qualidade a estes homens e mulheres que ajudaram a construir a riqueza do país e não podiam frequentar e ter acesso as mesmas coisas que os brancos que foram super protegidos pela mesma constituição que relegava aos negros o papel de subordinado ao dominante. 

Quando veio a promulgação dos direitos civis e os negros finalmente conseguiram a sua emancipação e puderam finalmente ter acesso aquilo que não tinham antes, pois agora eles podiam estudar em boas escolas podiam também ingressar numa faculdade, mas isso não significou o fim do racismo que embora não fosse crime ainda era a via comum onde os brancos se escondiam para atacar e manter a situação vigente. 

Ainda na década de 1960, surgiu um dos grandes nomes do boxe Rubin Carter que ficaria conhecido como Hurricane enfrentaria um sério problema que afetaria a sua vida e fatalmente mudaria a sua trajetória, pois pugilista foi acusado de um crime de assassinato que não havia cometido. O delito ocorreu as duas e trinta minutos da madrugada, no dia 17 de junho de 1966, em um bar localizado Patterson, em New Jersey e simplesmente saíram disparando contra as pessoas e saldo desta tragédia foram três mortos e um ferido e uma mulher (Patty Graham), disse que os autores do crime eram negros e os viu saírem disparados em um carro branco.

   
E outra testemunha um homem (Bello) em associação com a mulher (Patty Graham) deram a polícia a descrição de um carro semelhante ao carro conduzido por Rubin Carter (Hurricane), afirmando que os condutores eram negros e a polícia foi atrás e interceptou o tal carro e abordaram o carro de Carter e o seu amigo Artis foram levados a delegacia para prestar maiores esclarecimentos sobre o fato ocorrido no bar, mas o que o pugilista não esperava era ser acusado e encarcerado por assassinato poucos meses depois. Na delegacia as testemunhas identificaram Carter como um dos participantes do massacre cometido no bar e obvio aconteceu, o boxeador foi levado a julgamento que não foi nada fácil, muito pelo contrário foi conturbadíssimo, pois a dupla Carter e Artis foi condenada a prisão perpétua. 

A acusação conseguiu desqualificar o álibi apresentado pelos acusados e o pior é que eles não tinham nenhum evidência que comprovasse que Carter e Artis fossem de fato os autores do delito. Poucos anos depois em 1974, uma das testemunhas masculina Bello se retratou dizendo que havia mentido e Bradley um dos que havia ter dito reconhecer o boxeador como autor dos disparos que haviam vitimado três pessoas e deixado uma com sérios problemas pelo ferimentos causados pela arma de fogo também fez o mea culpa e tal atitude foi base e a sustentação para a reabertura do caso e o julgamento fosse refeito, mas o juiz Samuel Lerner não aceitou dizendo que naquele caso "não havia o anel da verdade".

Bob Dylan entra em cena e depois de visitar o pugilista na cadeia (veja a foto que estampa este post), começou a escrever a faixa Hurricane (em favor do boxeador e do seu amigo que havia ido junto com ele para a jaula pagar por um crime que ambos jamais haviam cometido), e a letra da música por ser considerada muito ofensiva por trazer estampo os nomes de Bello e de Bradley sugerindo que ambos tivessem manipulado a cena do crime com as frases "roubado os corpos" poderia render a gravadora uma bela ação judicial e por isso a faixa teve de ser regravado e consequentemente a letra teve de ser alterada para evitar maiores problemas. 

Como o cantor e compositor encontrava-se no meio de ensaios para iniciar a sua turnê norte americano e como já estava afiado mesmo resolveu voltar ao estúdio e regravar Hurricane com a banda Rolling Thunder Rewue e ainda contou com as participações de Scartlet Rivera, no violino e de Bell Vinnie na guitarra de doze cordas (da marca Danelectro) e a nova versão é mais rápida e mais longa foi gravada com Dan Meeham, e as letras também foram mudadas, mas nem tanto, pois ainda continuavam ofensivas e ainda por cima continha o nome outra testemunha de Patricia Graham Valentine (Patty Valentine), que moveu uma ação legal contra o cantor, mas perdeu ação. Bob Dylan ainda recebeu críticas por parte da imprensa que alegava não entender a objetividade do cantor e ainda por cima questionavam porque não havia nenhuma menção ao temperamento violento e as condenações que o boxeador havia sofrido.   


Após a gravação da faixa foi organizado um show beneficente em prol dos acusados, para levantar as verbas necessárias para bancar o segundo julgamento de ambos e foi ali pela primeira vez que a canção Hurricane foi tocada na íntegra para o público e tal show ocorrido no Madison Square Garden, arrecadou a soma de cem mil dólares e no segundo no Houston Astrodome, Dylan chamou outros caras de peso como: Ringo Star, Steve Wonder e Dr. Jones para abraçar a causa mais a renda obtida nesta apresentação não foi suficiente. A faixa saiu no álbum Desire (1976), e o resultado foi positivo, pois contou em defesa do boxeador e de seu amigo que estavam pagando por ser negros numa sociedade racista. 

Querendo ou não segundo julgamento, ou seja, um novo recurso acabou acontecendo e as mentiras em torno da história começaram a vir a tona e a testemunha Alfred Bello que testemunhou depondo contra o pugilista e seu amigo, repetiu o mesmo depoimento, já a outra testemunha, o Bradley recusou-se cooperar com a justiça. E outra testemunha ainda afirmou que a promotoria o havia pressionado a testemunhar contra Carter e claro que a promotoria iria negar, pois quem assume as bobagens que comete? E o resultado foi que ambos saíram do tribunal piores do que já estavam. Os advogados da dupla Carter e Artis não desistiram e no ano de 1981 conseguiram a liberdade condicional para Artis e para Carter a liberdade acenou para em 1985, após a aceitação de um Habeas Corpus onde juiz Lee Haddon Sarokin do distrito de New Jersey observou "que a condenação havia sido baseada em um apelo ao racismo, em vez da razão, e encobrimento, colocando de lado as convicções", e assim aos 48 anos após 19 encarcerados encerrava-se o drama de Rubin Carter (Hurricane).  

A função do rock é protestar contra as injustiças e mais uma vez Bob Dylan levantava-se do seu conforto e assim como a sua atuação na década de 1960, em favor dos direitos civis ele repetiu em favor de Rubin Carter que passou 19 anos na cadeia na melhor época de sua vida quando encontrava-se no auge e viu tudo desmoronar por causa de pessoas racistas tanto testemunhas quanto o sistema judiciário que não pensou duas vezes antes de mandar duas pessoas para a cadeia e os condenar a cadeia por que eram negros. Para quem quiser conhecer essa história fica a indicação do filme Hurricane estrelado por Denzel Washington e foi lançado em 1999. A faixa como já foi dito foi lançada no álbum Desire de 1976, e alcançou a 33 posição nas paradas norte americanas e fez história como umas das mais fortes canções de protestos que o público do rock já conheceu e se você ainda não conhece e gosta de música deste tipo não perca tempo, pois o rock é mais do que música é história e testemunha de tempos sombrios e ajuda a contar a história do homem em sociedade e quem sabe não retrata um pouquinho de do Brasil em suas varias facetas e matizes que no fundo escondem vários Hurricanes nas masmorras brasileiras. 




    

    



















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